Apesar do aumento do PIB previsto para 2021, as previsões econômicas para o Brasil em 2022 foram deteriorando-se durante o segundo semestre, tendo como causas principais o cenário da nova variante Ômicron do Covid-19 e as ações do governo federal que levaram à queda de confiança dos investidores.
Alguns fatores projetam um ano desafiador para a recuperação de créditos em 2022: o aumento da inflação, a previsão de estagnação do PIB, aliados, ainda, aos 13,3% da população desempregada.
Contudo, pode ser que os impactos da crise sejam abrandados pelos investimentos públicos que tendem a aumentar em ano eleitoral. Além disso, o programa Auxílio Brasil aprovado pelo Congresso trará um reflexo positivo na composição da renda das famílias beneficiadas.
O agronegócio brasileiro, um dos mais eficientes do mundo, deve manter o seu ritmo de crescimento para 2022, segundo dados da Abimaq, e projeta-se de forma muito otimista um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos principais segmentos (arroz, milho, soja e derivados, açúcar, etanol e os três tipos de carnes).
O setor educacional, que foi um dos mais seriamente afetados pela pandemia, também já prevê melhoras para esse ano. A redução de 34% do mercado de escolas ocorrida em 2020, parece estar no fim com a queda de 95% para 52% dos cancelamentos de matrículas, segundo pesquisa nacional do Grupo Rabbit.
Assim, esse momento de diversas incertezas com maiores riscos para a economia traz desafios adicionais ao setor de cobrança para o ano de 2022.
O uso de novas tecnologias e o atendimento digital devem ser ampliados principalmente nas primeiras faixas de risco (saldo e atraso), nas carteiras cobrança dos produtos de varejo, educacional, telecomunicações e energia elétrica. Esta expansão deve ocorrer não só como forma de atender a um público cada dia mais dinâmico, tecnológico e que não quer receber ligações de cobrança, mas também como medida de redução de custos para as agências de recuperação.
O caminho para uma negociação eficaz passa certamente por uma mudança na forma do atendimento ao cliente. Maior empatia com a situação de cada um e consciência da oferta adequada serão fundamentais para que as empresas de recuperação de crédito tenham bons resultados.
Um contato mais humanizado decorre do entendimento da jornada do cliente não só na negociação, mas por todo o tempo que ele estiver relacionando-se com a cobradora. A forma que ele prefere ser contatado, a linguagem utilizada na abordagem e uma negociação transparente são condições indispensáveis para o aumento da efetividade.
2022 projeta-se como um ano ainda mais desafiador deste período de pandemia, seja por questões econômicas, políticas ou de saúde e por isso o conhecimento das carteiras, dos produtos e especialmente dos clientes será o diferencial para o sucesso na recuperação de créditos, na cobrança administrativa e judicial.